segunda-feira, 12 de maio de 2014

Colóquio internacional do LEPSI " Crianças públicas, adultos privados"

Divulgando:


"Colóquio internacional do LEPSI " Crianças públicas, adultos privados"
V Congresso da RUEPSY - Rede Universitária Internacional em Educação e Psicanálise e
I Congresso Brasileiro da Rede INFEIES(06/11/2014 - 08/11/2014)



Crianças públicas, adultos privados

A promoção social da infância é um fato incontestável. Em escala bem superior a de épocas precedentes, a criança recebe a atenção do discurso jurídico que organiza leis que a protegem contra os abusos dos adultos; a atenção do discurso científico que formula as leis de seu desenvolvimento e aprendizagem a serem respeitadas nas práticas que levam em conta a lida com as crianças; a atenção também dos interesses do mercado que agora veem nelas um potencial consumidor que, ainda que não tenham os meios próprios para a efetivação do consumo, podem ser hábeis na persuasão de seus pais.

Toda essa promoção social da infância, comemorada com razão pelas sociedades democráticas, enquanto representa uma vitória do Estado de Direito, nos autoriza a formular a expressão criança pública.

Mais que a expectativa, nasce a demanda para a criança pública, esquadrinhada por leis e saberes, para que ela fale deixando sua condição de infans, no sentido político do termo (infans, como aparece na figura do infante da infantaria, é aquele que não tem o direito de falar). Mas quem estará lá para ouvir?

No avesso da criança pública, propomos a reflexão, está o adulto privado. Privado não no sentido contemporâneo, de privativo, íntimo, mas no sentido de privação da coisa pública, como, aliás, era o sentido dado ao termo pelos gregos. O infans agora seria o adulto?

Frente a criança pública, caracterizada por seus direitos, encontra-se o adulto privado, caracterizado por seus deveres. Evidentemente que o potencial pernicioso do adulto em relação à criança existe e precisa ser coibido. Na tradição psicanalítica, desde Freud passando por Lacan, Dolto e vários outros a questão foi analisada com rigor, sobretudo na investigação dos vestígios deixados pelo desejo dos pais na alienação inevitável da criança a estes.

Seria preciso pensar essa questão dialeticamente: o esquadrinhamento da criança pública gerou como efeito colateral a criação de um superego educativo para os adultos. Infantilizados pela obediência regulamentada a preceitos, mas também, enquanto professores convocados a se formar eternamente nos cursos que visam sua melhor adaptação à criança pública, serão esses adultos menos perniciosos?

A expressão que dá o título a esse colóquio: crianças públicas, adultos privados, é uma franca paráfrase a célebre frase de Bernard Mandeville, publicada em 1723 em seu livro com título sugestivo: "A Fábula das abelhas" : "Vícios privados são virtudes públicas . Mandeville é considerado por muitos como o bisavô da ética utilitarista, forjada no seio da ideologia liberal e que encontraria sucessores como Bentham e Adam Smith, já bem mais conhecidos em nosso meio.

A ética utilitarista e a ideologia liberal são francamente dominantes no cenário politico atual. Os recentes acontecimentos em torno do tratamento ao autismo, em particular no Brasil e na França, são uma prova contundente disso. Sob o preceito de cientificidade das práticas, o Estado entendeu ser correto limitar o trabalho com autistas, seja ele de natureza educativa ou terapêutica, a somente aquelas práticas que tinham seus resultados comprovados cientificamente, segundo um modelo único de cientificidade. Toda a riqueza do debate epistemológico sobre a questão: O que é uma ciência?, que desembocou num consenso sobre a inadequação de se estabelecer um modelo único de cientificidade, assim como a existência de práticas que perduram há décadas graças a consistência e comprovação de seus trabalhos com crianças autistas, foram suprimidas em nome de uma ideologia utilitarista da rentabilidade.

A escolha da paráfrase no título, não é, portanto, gratuita. Ela serve para marcar a fotografia de um tempo dominado pelo neoliberalismo e para nos autorizar a colocar a questão sobre o laço educativo nessas circunstâncias: Se a criança está do lado da virtude enquanto o adulto do lado do vício, qual transmissão poderemos observar? Invertendo Santo Agostinho em sua versão da teoria do pecado original, poderíamos dizer que As crianças comem as uvas verdes e os adultos têm seus dentes irritados?

Neste colóquio atravessaremos temas que visam refletir desde a psicanálise os avatares da relação impossível adulto-criança, tal como ela parece ser tomada nas redes da sociedade neoliberal e utilitarista.

Maria Cristina Machado Kupfer, Leandro de Lajonquière e Rinaldo Voltolini

mais informações: http://www3.fe.usp.br/secoes/inst/novo/eventos/detalhado.asp?num=1875 "


Abraços. Alexandre Kassis

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Grupo de Estudos e Pesquisas em Arteterapia Junguiana (Online)


Convite:


Grupo de Estudos e Pesquisas em Arteterapia Junguiana (Online)

Grupo Inaugural: Os Contos da Meia-Idade em Processos Arteterapêuticos


Concepção, Coordenação e Moderação: 

Alexandre Kassis


Bacharel em Ciências Sociais pela USP (1993), Licenciatura Plena em Ciências Sociais pela USP (2009). Pós-graduação em História, Sociedade e Cultura pela PUCSP (2001), em Gestão da Educação a Distância pela UFJF (2007). Especialista em Arteterapia pela FAVI-NAPE (2012), arteterapeuta – AATESP 258/0613. Pós-graduando em Mitologia Criativa, Contos de Fadas e Psicologia Analítica – UNIP. Tem experiência como professor em cursos presenciais e a distância (online) versando sobre Literatura Infantil, Contos de Fadas (na Educação e em Processos Terapêuticos/Arteterapêuticos) e Formação de Contadores de Histórias.

Sobre o Grupo:

“Contos da meia-idade” é uma categoria de contos apresentada pelo psiquiatra Allan B. Chinen (1993,1998, 2001) adequada a trabalhos com questões psicodinâmicas de adultos a partir da meia-idade, pois versam de forma metafórica e rica em simbolismo sobre as tarefas de desenvolvimento psicológico na segunda metade da vida.

No grupo de estudos e pesquisas online alguns desses contos serão analisados coletivamente com base em conceitos e perspectivas junguianas em Arteterapia, para o desenvolvimento de pesquisas e seus resultados em publicações futuras sobre suas possibilidades como instrumentos nesse âmbito, com foco nos processos de individuação dos clientes, na ampliação da consciência e no equilíbrio entre o inconsciente e o consciente, no auxílio em amplificações simbólicas, em trabalhos com as quatro funções da consciência/os quatro elementos, em diversas modalidades expressivas.

Todas as interações serão desenvolvidas a distância, via plataforma de aprendizagem Moodle, com fóruns de discussão, chats, atividades individuais e em grupos de colaboração, desenvolvimento de portfólios digitais para compartilhamentos e discussões de resultados de pesquisas e elaboração de publicações futuras.

Valor: Gratuito para Arteterapeutas Profissionais, Associados de todas as Associações reconhecidas pela UBAAT que se interessem pelo tema e que possam desenvolver pesquisas sobre Contos da Meia-Idade em Processos Arteterapêuticos Junguianos.

Vagas: 12 (Doze)

Critérios de seleção e participação: Solicitar via e-mail 

Para alexandre.kassis@uol.com.br

Assunto: Contos da Meia-Idade

Com nome completo e número de Associado na Categoria Profissional em Arteterapia de Associação reconhecida pela UBAAT.

Abraços.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Entrelaçamentos - educação, cultura e pessoas com deficiência

Olá.

Divulgo Ciclo de Conferências que será realizado na FEUSP: 

"Ciclo de conferências que têm como finalidade abordar o entrelaçamento que se estabelece em espaços eminentemente constituídos por acervos culturais a partir da relação entre cultura, educação e pessoas com deficiência."

Abraços.

Alexandre Kassis



Informações e Inscrições:
http://www3.fe.usp.br/secoes/inst/novo/eventos/detalhado.asp?num=1734

sábado, 12 de outubro de 2013

Aliança pela Infância

Olá.

Conheça a Aliança pela Infância (leia trecho da "Apresentação"* mais abaixo).

Abraço.

Alexandre Kassis



*"A Aliança pela Infância é um movimento mundial - Alliance for Childhood - uma rede que atua facilitando a reflexão e a ação das pessoas que se preocupam com o cuidado e com a educação das crianças. 

Nasceu em 1997 na Inglaterra a partir da preocupação de um grupo de pessoas com a situação da infância no mundo contemporâneo: a falta de espaços para brincar, o consumismo desenfreado, a pressão escolar precoce, entre outros desafios.

Constituindo-se em um novo modelo de cooperação internacional, a Aliança pela Infância caracteriza-se por ser uma rede, uma aliança de pessoas e organizações unidas por ideais comuns visando à melhoria da vivência da infância.

A rede existe no espírito de colaboração no qual todos os envolvidos podem encontrar um suporte mútuo para suas ações no mundo. Em torno da preocupação com a infância unem-se organizações, grupos, instituições, movimentos sociais, indivíduos e investimentos financeiros com o máximo de dedicação, comprometimento, eficiência e difusão. 

Todas as pessoas e instituições ligadas à Aliança são parceiras com igualdade de direitos; cooperam entre si de forma espontânea e livre, ajudando-se mutuamente e reunindo-se em diversas atividades, com participação em ações locais, regionais, nacionais ou de maior amplitude.

Segundo esta forma de atuação, a Aliança é uma rede onde cada pessoa procura, conforme seu âmbito de influência, fazer sua parte para ajudar na realização das metas compartilhadas.

Atualmente a Aliança pela Infância possui representação mais de 20 países da Europa, Américas, África e Ásia. Conheça o mapa da Aliança no Mundo




*Da apresentação: 
http://www.aliancapelainfancia.org.br/apresentacao.php



quinta-feira, 10 de outubro de 2013

I Encontro de Pesquisa Michel Foucault entre pós-graduandos em Educação (USP) e Filosofia (PUC)




Divulgo e recomendo:

I Encontro de Pesquisa Michel Foucault entre pós-graduandos em Educação (USP) e Filosofia(PUC)


"Com o intuito de estimular o intercâmbio acadêmico entre pesquisadores que estudam o pensamento de Michel Foucault, o "I Encontro de Pesquisa Michel Foucault entre pós-graduandos em Educação (USP) e Filosofia (PUC-SP)" pretende ser uma ocasião profícua de diálogo e debate entre alunos de pós-graduação vinculados à Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP) e ao Grupo de Pesquisa Michel Foucault do Departamento de Filosofia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). O objetivo do evento consiste em aprofundar tanto a leitura de textos desse pensador, quanto pesquisas baseadas em seus procedimentos analíticos e empíricos. Nesse sentido, entende-se que há três formas principais de leitura e apropriação das obras de Foucault: a primeira se caracterizaria pelo comentário e pela interpretação de seus textos; a segunda teria por objetivo a continuidade de seus trabalhos de pesquisa e a aplicabilidade de seus conceitos em diferentes contextos; já a terceira se preocuparia em compreender seus procedimentos de pesquisa visando à problematização de outros objetos e realidades. A partir da premissa de que as três formas são legítimas e se implicam mutuamente, a intenção é partilhar e discutir estudos que vem sendo realizados a partir delas, dando evidência às dificuldades, às diferentes apropriações e aos saldos originários das leituras dos conceitos e procedimentos foucaultianos em dissertações e teses concluídas ou em andamento. O Encontro ocorrerá nos dias 12 (na FEUSP) e 13 (na PUC-SP) de novembro de 2013 e contará com mesas compostas por pesquisadores de ambas as instituições envolvidas. A assistência será aberta ao público em geral."

mais informações: http://www3.fe.usp.br/secoes/inst/novo/eventos/detalhado.asp?num=1709



Abraço.

Alexandre Kassis

quarta-feira, 9 de outubro de 2013